Julyelle Conceição

Psicóloga, Terapeuta Sexual e de Casais

5 Dicas para ter orgasmo

Essa é uma das queixas femininas mais comuns em Terapia Sexual: estar num relacionamento há anos e nunca ter conseguido um orgasmo, ou ter conseguido, mas com muita dificuldade, o que cientificamente chamamos de anorgasmia.

Mas o que é orgasmo, afinal? Orgasmo é uma fase breve em que ocorre um clímax seguido de contrações involuntárias do corpo de modo a liberar as tensões sexuais das fases anteriores da resposta sexual: o desejo e a excitação. É como andar numa montanha russa: primeiro você tem a vontade de andar no brinquedo (desejo sexual) você sobe um tanto até lá em cima (excitação), chega ao clímax (orgasmo), e depois desce (frio na barriga e emoções intensas). A experiência de orgasmo, sensação de prazer, difere de acordo com cada pessoa e pode variar em intensidade, número, duração e percepção, conforme o parceiro, situação ou fase da vida. Ou seja, há uma série de variáveis que influenciam no orgasmo. Além disso, ainda é comum que algumas mulheres tenham orgasmos durante a penetração, mas não os reconheçam por serem de menor intensidade. Sim, é bem comum ter vários orgasmos de menor intensidade e difusos do que um único orgasmo mais intenso.  Por isso é extremamente importante que você conheça as fases da resposta sexual e como o orgasmo pode ser para assim perceber, se você está ou não se aproximando da fase de clímax.

 Vamos imaginar que você teve um dia daqueles no trabalho: várias demandas inesperadas surgiram com urgência para serem resolvidas e durante o trabalho você recebe um telefonema para buscar o filho na escola porque ele está com febre. Pede para sua mãe buscá-lo, porque você e seu parceiro estão muito atarefados. E, por fim, com tanta correria, se atrasa para a reunião de pais, pois acabou esquecendo. Seja sincera: ao chegar em casa, qual a chance de você estar a fim de sexo? Se você percebe que tem pouco desejo, você já sabe que será difícil ficar excitada e chegar ao orgasmo, certo? Mas então, você decide transar mesmo assim porque seu parceiro está a fim. E tudo bem! Mas é importante você ter consciência disso tudo para evitar uma expectativa muito alta de orgasmo, sendo que você nem estava desejando ter sexo naquela noite. Outra coisa que vale lembrar é que você não precisa, necessariamente, chegar ao orgasmo em todas as suas relações sexuais. Uma relação sexual pode ser sim, muito prazerosa, mesmo sem chegar ao clímax, com base na troca de afeto, no estar com o outro que é um dos motivos pelos quais as pessoas se envolvem afetivo-sexualmente.

Outro dado super importante que você saiba é que nós, mulheres, temos um órgão específico para sentir prazer. O clitóris possui mais de 8 000 terminações nervosas e sua estimulação com a mão, algum brinquedo como o estimulador de clitóris ou o próprio pênis pode proporcionar orgasmos mais intensos e evidentes, enquanto geralmente com a penetração os orgasmos são menos intensos.

Agora que você já sabe o que é orgasmo e as fases da resposta sexual que o antecedem, vamos às dicas:

1. Autoconhecimento: o que você sente ao se olhar no espelho de corpo inteiro? Sente-se bonita? Atraente? O que você gosta em você? E o que não gosta? Como você se sente quando olha a sua vulva, mamas e nádegas? Onde fica o clitóris? E o canal vaginal? Importante atentar-se a todo seu corpo, aprender a olhar sim a sua vulva, perceber como muda ao ficar excitada, como aumenta, o inchaço ou intumescimento do clitóris, a lubrificação no canal vaginal. Esses sinais mostram a sua excitação e percebê-los é importante para identificar quando pode haver uma penetração, por exemplo;

2. Relaxamento: o popular “relaxa e goza” pode ser lembrado nesse momento, na intenção de se soltar, aproveitar o momento, estar aberta as sensações e sentimentos. O que nem sempre é fácil diante da nossa cultura de hipervalorização do trabalho e da produção, na qual fazer nada causa estranhamento;

3. Masturbação: essa prática te possibilita ampliar seu autoconhecimento sozinha, sem a ansiedade pela presença do parceiro para, depois compartilhar com ele o que você descobriu sobre seu corpo e seu prazer. Você pode utilizar as mãos ou um vibrador. O importante é iniciar a prática, no seu ritmo, lidando com os possíveis sentimentos de vergonha, culpa e medo. Escolha um lugar tranquilo onde não será interrompida e organize o ambiente da forma que você considere erótica. Se gosta coloque uma música e solte a imaginação. Eu costumo brincar: como receber uma visita em casa e deixá-la à vontade se eu não conheço os cômodos? Como dizer que você não quer que entre nesse quarto porque você não gosta que mexam no que há ali, mas na sala pode ficar à vontade e tocar em tudo, sem problemas? Esse conhecimento é importante para conseguir dizer ao parceiro o que você gosta e até onde ele pode ir.  A masturbação permite a percepção de como seu corpo responde a esses toques, os tremores, as contrações involuntárias e também a entender se você consegue ou não chegar ao orgasmo sozinha, sem a presença de uma parceria com a qual se preocupar.

4. Foco nas sensações: pare e feche seus olhos: o que você sente agora? Perceba.  Esse foco é importante tanto da masturbação quanto na relação sexual. Perceba o que você sente com certos toques: cócegas e vontade de ir? Com outros você sente arrepios e gosta disso? No caso da masturbação ainda é muito comum sentir vergonha, culpa e medo de ser surpreendida, o que tem relação direta com a sua história de aprendizagem sobre sexo ao longo da vida. Mesmo assim a escolha de aprender a se masturbar traz muitos benefícios, dentre eles a facilidade em chegar ao orgasmo. Então, tente! Comece devagar e continue. Perceba: há algum prazer? Em que momento?

5. Comunicação: dizer a parceria suas preferências, o que quer experimentar, o que te deixa excitada e o que não gosta, facilita muito ter prazer e chegar ao orgasmo. Mas, assim como a masturbação, é muito provável que você não tenha sido estimulada a falar sobre sexo, o que dificulta a comunicação com a parceria. Uma ideia é que você parta de situações outras e as traga para a relação para começar. Enviar esse texto ao parceiro e comentar de forma escrita algo que você queira experimentar, é um exemplo. Outra ideia é usar como gatilhos para a comunicação cenas de filmes e trechos de livros. Uma cena em que o casal tem relação num lugar inusitado, abre portas para você perguntar se ele toparia algo assim. A comunicação não-verbal é mais uma alternativa. Tirar a mão do parceiro de uma parte do corpo e redirecioná-la para outra de sua preferência ou gemer demonstrando prazer, são exemplos disso.

Aproveitar o momento, a experiência, o processo, sem foco no orgasmo é o principal para consegui-lo. Sabe há dois tipos de viagens: aquela que você chega contando o que viu no caminho, como se sentiu, cheia de histórias e aquela em que você nem lembra o que aconteceu durante de tão preocupada que estava em chegar logo ao destino.

Que tipo de viagem você escolhe? Aproveite o caminho!

Referências:
RODRIGUES JR, O.; ZEGLIO, C. Anorgasmia Feminina. Em RODRIGUES JR, O. (2001). Aprimorando a saúde sexual: manual de técnicas de terapia sexual. São Paulo, Summus.
Prazerela – O pequeno livro da sexualidade positiva para mulheres. Acesso em: 26.01.2021. Disponível em: prazerela.com.br

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5 Dicas para ter orgasmo

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