Julyelle Conceição

Psicóloga, Terapeuta Sexual e de Casais

Como ter mais prazer sexual no relacionamento conjugal?

É comum ouvir a queixa de mulheres que estão em um relacionamento estável, seja em um namoro, ou casamento e que, após algum tempo sentem-se insatisfeitas. Ser uma queixa comum não quer dizer que você precise continuar insatisfeita e naturalizar essa insatisfação. Porém, muitas pessoas comentam que casamento é assim mesmo: envolve rotina e não tem novidade. Ou seja, resta aceitar a situação, pois não tem o que fazer. Mas como profissional eu te digo com toda a confiança e segurança: é possível sim mudar essa situação e viver com prazer sexual o relacionamento conjugal.

Algo que geralmente acontece é que, após o relacionamento ter uma certa estabilidade, o casal sente que não precisa mais investir na relação. É como se o jogo estivesse ganho e já não fosse importante continuar pensando em jogadas estratégicas que surpreendam o outro e acabe aumentando a pontuação para ambos, nesse caso o prazer. Você se lembra como era no começo do seu relacionamento? Uma surpresa aqui, um bilhetinho romântico ou erótico ali, uma viagem, um jantar. Além disso, a relação sexual durava mais tempo, tinha mais preliminares e era menos direta, concorda? Vocês costumavam pensar e agir de modo a surpreender o outro, agradar, proporcionar algum prazer. E agora, como tem sido?

A rotina no relacionamento pode sim acontecer, mas com uma postura ativa e atenta à relação é possível fazer diferente, ser criativa e inovar no seu relacionamento. E como fazer isso?

Inicialmente, para mudar a sexualidade na conjugalidade e ter mais prazer na relação, é preciso ter consciência do que está acontecendo. Admitir que há uma insatisfação é importante para poder escolher agir de forma diferente do que tem sido até então.  É como diz a frase: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” (autor desconhecido). Nesse momento é possível que você chegue à conclusão de que entende o que precisa mudar: o objetivo, mas não sabe como mudar: o método. Como mudar a rotina? O que eu posso fazer? Por onde começar?

O primeiro passo é ampliar o seu autoconhecimento, o que envolve tanto fatores biológicos quanto psicológicos. Conhecer-se melhor e perceber seus sentimentos, comportamentos e pensamentos sobre sexo irá te ajudar nos passos seguintes. Para isso tente se responder: o que você já ouviu falar sobre sexo? Talvez que é algo sujo, pecado, que não pode ser falado? Como você se sente ao pensar sobre isso? Surgem os sentimentos de culpa, vergonha, medo? Além disso, começar a conhecer o seu corpo e a entender como se relaciona com ele: quais partes gosta ou não gosta e aprender a se masturbar para identificar o que te proporciona prazer sozinha irá contribuir para o seu prazer sexual em parceria. Desenvolver a sua autonomia sexual que quer dizer ter uma atitude ativa para fazer diferente, para aprender, para ter iniciativa ao invés de esperar que o parceiro tenha atitude e responsabilidade pelo seu prazer. Pouca autonomia e passividade é resultado de uma educação sexual que desconsidera o prazer feminino. Infelizmente essa é a educação mais comum entre a maior parte das mulheres, o que tem está mudando aos poucos nos últimos anos.

Num segundo momento é importante recuperar o erotismo na relação. O que alimenta o seu desejo sexual? O que te deixa excitada? Como vocês costumavam iniciar a relação sexual? Talvez uma música te desperte a sensualidade. Receber uma massagem do parceiro após um dia de trabalho ou trocar mensagens eróticas ao longo do dia, ler um conto erótico juntos… São diversos os estímulos eróticos possíveis! Cabe a você descobrir quais te proporcionam mais prazer, seja sozinha ou acompanhada. 

Por fim, a comunicação tem um papel extremamente significativo para mais prazer sexual. De nada adianta você saber o que te satisfaz, mas ter dificuldade em conversar com o parceiro sobre como você quer ser tocada na hora H, por exemplo. Mas assim como a educação sexual feminina, a arte de se comunicar de forma clara e objetiva, assertiva eu diria, ainda recebe pouca atenção. A boa notícia é que é possível sim aprender a se comunicar melhor!

Agora pense: será que você tem vivido momentos de prazer sexual no seu relacionamento? Que tal tentar colocar essas dicas em prática? Lembrando que cada pessoa é única, tem sua história, suas experiências e um jeito singular de viver seu relacionamento com prazer, tá?

Você merece uma vida sexual e conjugal satisfatória. Invista em você!

Referências:
Silva e, M. do C. de A. A história da terapia sexual. Em RODRIGUES JR, O. (2001). Aprimorando a saúde sexual: manual de técnicas de terapia sexual. São Paulo, Summus.
Heiman, J. LoPiccolo, J. Traduzido por Maria Silvia Mourão Netto. 2 edição. Summus, 1992 Descobrindo o prazer: uma proposta de crescimento sexual para a mulher.
Borloti, E., MachadO, G. P. e Zortea, T. C, (2008) – Pensando o amor na Análise do Comportamento – Sobre Comportamento e Cognição – Vol. 22, Cap. 9 – pag. 93 -112. Skinner, B. F. (1991) – Questões recentes na análise comportamental. Campinas, SP: Papirus. Cap. 1.

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Como ter mais prazer sexual no relacionamento conjugal?

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