É com certa frequência que recebo o contato de pessoas com interesse em terapia sexual, mas alguns obstáculos dificultam o início do processo. Dentre os principais estão: encontrar profissional especialista em sua cidade e o medo de ter sua intimidade exposta ao fazer terapia presencialmente em uma cidade pequena. Sendo assim, uma proposta interessante é a modalidade de atendimento on-line. Mas diante dessa possibilidade muitas perguntas vêm à tona. Será que funciona? Não é muito impessoal? Será que me sentirei à vontade nessa modalidade? Sem contar nas afirmações: isso não é para mim! Eu faria, mas só se fosse presencial. Ou seja, uma sinuca de bico que termina em: “desisto, não tem jeito mesmo!”
O atendimento on-line é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia – CFP e segue os mesmos princípios do atendimento presencial: a utilização de instrumentos e técnicas validados pela psicologia, a conduta de não julgamento e a garantia de sigilo profissional. Dessa forma, por não contar com uma sala ou consultório para atendimento pela terapeuta onde esses princípios sejam seguidos, a modalidade requer uma série de cuidados por parte do cliente como: a escolha de um local seguro, livre de interrupções, onde não será ouvido e uma boa conexão de internet para que a conversa possa acontecer o mais espontaneamente possível. Mesmo após essa explicação e com autorização pelo CFP para o atendimento de diversas demandas, algumas pessoas continuam resistentes ao processo. O que acontece, então? O medo do novo, do desconhecido!
Ao perceber essa resistência a minha proposta tem sido: experimente! Costumo propor um momento entre 15 a 20 minutos, sem compromisso, onde converso com a pessoa por vídeochamada e ela possa sentir como seria o processo psicoterápico, além de esclarecer todas as dúvidas do atendimento on-line. Já apresentei essa proposta tanto para terapia individual quanto para a terapia de casal e todos relataram que a experiência foi bem melhor do que esperavam. A modalidade on-line não impede a construção de um bom vínculo terapêutico, por meio do qual a cliente possa se expressar livremente quanto a sua intimidade, o que pensa e o que sente. E um bom vínculo é o ponta pé inicial para um trabalho psicoterápico efetivo. Lembrando que a dificuldade em estabelecer vínculo com a terapeuta pode ocorrer também na modalidade presencial. Já ouvi muitas vezes relatos de pessoas que desacreditaram do trabalho do psicólogo, simplesmente por não gostarem dele e sempre sugiro: troque de profissional! Assim como nem sempre a gente gosta da postura de um médico, dentista ou fisioterapeuta e troca de profissional por um que “tenha mais a nossa cara”, você pode fazer isso com relação ao seu psicólogo.
Agora pense: você já deixou de fazer algo por que estava com medo? Quais foram as consequências de deixar o medo dominar a situação? É muito comum se assustar com a novidade, com o desconhecido e travar diante dessa possível escolha, mas lembre-se: o novo pode te abrir portas de vida, saúde e prazer!
Referências:
Resolução n° 11 de 11 de maio de 2018 do Conselho Federal de Psicologia. Disponível em: https://atosoficiais.com.br/cfp/resolucao-do-exercicio-profissional-n-11-2018-dispoe-sobre-regulamentacao-de-servicos-psicologicos-prestados-por-meio-de-tecnologia-da-informacao-e-da-comunicacao-durante-a-pandemia-do-covid-19. Acesso em: 26.01.2021.
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