Essas três queixas comuns em terapia sexual e consultórios ginecológicos são caracterizadas por dores na região da vulva que dificultam ou impedem o sexo com penetração. Segundo o DSM V, o vaginismo e a dispareunia, são disfunções sexuais femininas assim como a inibição do desejo (diminuição da libido) e a anorgasmia (dificuldade em ou ausência de orgasmo):
-Vaginismo: contrações musculares involuntárias por medo da penetração. Assim, a entrada da vagina “desaparece” e dá lugar a uma parede por onde não é possível penetrar;
– Dispareunia: dor durante ou após a relação sexual que pode ser no início do canal vaginal ou de forma profunda. Geralmente, o problema é desencadeado por lubrificação inadequada no momento da penetração. A repetição dessa experiência desagradável pode desencadear a inibição do desejo, outra disfunção sexual feminina comum nos consultórios;
– Vulvodínea: dor tipo queimação de forma espontânea ou por meio do toque que pode ser na parte externa da vulva e no início do canal vaginal.
Para a maior parte das mulheres, o principal fator desencadeador do vaginismo é psicológico. O medo da dor durante a penetração tem relação com uma sexualidade infantil fortemente reprimida.
Já a dispareunia e a vulvodínea, podem ser desencadeadas por fatores psicológicos ou físicos como:
Fatores psicológicos:
– problemas de relacionamento do casal;
– educação sexual repressora;
– eventos traumáticos como violência sexual e traições;
– medos: da relação, de engravidar, de machucar o bebê,
– culpa em expressar a sexualidade;
– frustrações, relações
– falta de desejo, excitação e lubrificação;
Fatores físicos:
– doenças como diabetes, depressão, hipertensão;
– uso de medicamentos como antidepressivos, benzodiazepínicos e anticoncepcionais;
– desconhecimento da anatomia e resposta sexual (desejo – excitação – orgasmo)
– causas hormonais;
– disfunção sexual prévia.
Tratamento
De maneira geral, o tratamento exige um trabalho multiprofissional com terapeuta sexual, ginecologista, endocrinologista e fisioterapeuta pélvico, visto a complexidade da situação e os fatores envolvidos.
No que se refere a terapia sexual, o trabalho é baseado em:
– Entrevista: compreensão da sua história da sexualidade;
– Educação sexual: ampliar o autoconhecimento de sua anatomia, da resposta sexual: desejo sexual – excitação – orgasmo e identificação de pensamentos e sentimentos envolvidos na atividade sexual;
– Intervenções e técnicas: desconstruir regras, preconceitos e sentimentos negativos relacionados à sexualidade, especialmente ansiedades, medos e culpas.
Quando é identificado um problema relacional do casal, adia-se a terapia sexual e primeiro trabalha-se o problema do casal.
Sentir dor não é normal! Procure ajuda comum profissional de confiança.
Para uma vida sexual mais plena, cuide-se!
Referência:
VERDIER, V.M. Dispareunia. Em RODRIGUES JR, O. (2001). Aprimorando a saúde sexual: manual de técnicas de terapia sexual. São Paulo, Summus.
OLIVEIRA, J.S. Vaginismo. Em RODRIGUES JR, O. (2001). Aprimorando a saúde sexual: manual de técnicas de terapia sexual. São Paulo, Summus.
UNICAMP. Por que minha vulva dói? Guia voltado para mulheres com dor vulvar. Disponível em: https://www.carmelacaldart.com/Portfolio/Por-que-minha-vulva-doi-Guia-voltado-para-mulheres-com-dor-vulvar . Acesso em: 12.04.2021.
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